Tédio. Tenho tédio de quem tenta demonstrar interesse em algo que não lhe agrada apenas para se aproximar. Tenho tédio de balconistas e atendentes com aquela voz melosa, que a cada verbo que pronuncia as palavras bocejam por ela. Tenho tédio de tudo o que é sempre conveniente ou transparece conveniência e satisfação, mas que … verdadeiramente, transpira a rebeldia e a oculta, como se sua identidade assim, fosse preservada e as ajudasse a conseguir tudo o que querem. tédio me deixa enjoada, me faz sentir no domingo ou como naqueles feriados que caem nos finais de semana. O tédio é um estado de espírito. Uma forma peculiar de deixar explícita nossa pouca importância acima dos fatos que ocorrem a nossa volta naquele exato momento. Mas é o tédio que desperta em mim a vontade de não sentir tédio. Não gosto de senti-lo, não gosto de percebe-lo em outras pessoas, ele poderia não ser tão sonolento e remoto. Tédio, por favor … tire férias.


Há um tempo atrás, as coisas eram diferentes …
Um sorriso era um modo simples e eficaz de concordância. Não significava felicidade.
Não havia palavras sinceras dos corredores, somente uma concentração de vozes que me guiavam há um lugar que eu mau sequer sabia onde me levaria.
Me julgava feliz, mesmo quando as palavras começaram a me corroer, fingi ser forte e me manter em equilíbrio em momentos que eu mal sabia quem eu era, e qual era a finalidade dos meus atos. Um dia olhei para o infinito e ele começou a me indagar coisas que me tocaram. Ele me perguntou com uma voz doce, suave: Quem é você e quem são essas pessoas? Olhei para os lados, todas as direções possíveis e notei que ninguém me acompanhava durante todos aqueles anos. Havia muitas pessoas e ao mesmo tempo … nenhuma. Me senti vazia, me culpei por ter sido tão hipócrita e orgulhosa quando insistiam em me provar o contrário. Durante dias me sentei sozinha no banco de uma praça onde lembranças de uma felicidade até então pura e verdadeira me rodeavam. Pessoas que não existiam mais, que nunca mais teria a oportunidade de rever, de abraçar … e sorrir. Lembrei de pessoas amontoadas ouvindo uma música que embalava as tardes de opiniões controversas, dúvidas perversas e curiosidades estranhas e no final, gargalhadas.Verdades. No final de lembranças, lágrimas se acumularam em meus olhos. Algo quente começou a subir e misturou todas os meus sentimentos e me fez perceber minutos depois que aquilo, aquilo tudo, foi nada mais que os tijolos que formaram o meu quarto de repouso. A minha voz voltou, juntamente com os sentimentos ocultos. Tudo aquilo fez com que … de alguma forma, eu me descobrisse. Revelasse o que eu sempre fui, mas que não imaginava ser. Olhe para os lados. Indague. Olhe para o céu de vez em quando e quando o tudo não te der respostas, recorra ao nada.

Quando tinha aproximadamente 8 anos, minha mãe ganhou um recipiente com muitas bolinhas de gude, entre elas uma se destacava nitidamente: era uma bolinha verde com uma espécie de folha dentro. Ela me disse que aquela bolinha me traria sorte e que eu nunca poderia me desfazer dela. Passaram-se alguns dias, meses e agora anos; e confesso que não sei por onde anda a minha bolinha de gude. Assim como esse meu amuleto de sorte escapou de meus dedos a esperança na possibilidade de encontrar alguém com a mesma finalidade que eu, se minimiza a cada vez que descubro isso nas diferentes personalidades que a vida insiste em me apresentar. São tantas, que as vezes meu íntimo confunde a verdade com a vontade que tenho em finalmente encontrar; como aquela bolinha de gude que completa o recipiente que antes estava cheio, mais desde o seu desaparecimento sua falta se faz presente; a pessoa que realmente preencha espaços e me proporcione a sorte de conhecê-la, de proporcionar a felicidade, a esperança e a paz que me completariam.

As pessoas amam fazer brincadeiras idiotas sobre as pessoas e odeiam quando a brincadeira repreensiva volta contra elas mesmas. Vai entender …

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